Roubada de Viagem: Um crime na China (sem saber!)

 Veja a roubada de viagem escolhida em nosso concurso cultural:

Trem

Em 2006, viajamos pela China e, concluídas as nossas andanças em solo chinês, continuamos viagem pelo Vietnam, indo de Guilin, na China, até Hanói, no Vietnam, num trem noturno. 
 
No meio da madrugada, quando dormíamos na nossa cabine sleepers, antes de cruzarmos a fronteira, ainda em território chinês, um bando de policiais super mal encarados invadiu a nossa cabine, sem pedir licença, nos apontando espingardas, e gritando “where are the books? where are the books?”
 
Eu quase desfaleci de medo, sem entender nada do que acontecia à minha volta, sendo acordada daquele jeito esdrúxulo no meio da madrugada!
 
Eles começaram a revistar as nossas mochilas, revirando tudo, e eu e o Peg, meu marido, não conseguíamos entender o que estava acontecendo, até que um deles, que falava um pouco de inglês, nos explicou que estavam atrás dos nossos guias de viagem. 
 
Entendendo menos ainda, eu peguei o meu guia, de uma famosa editora, e entreguei a um dos policiais, que deu um sorrisinho de vitória e foi embora corredor afora, empunhando meu guia como se fosse um troféu.
 
A adrenalina ainda não tinha baixado – eu acreditava que iam nos aplicar uma pena de morte naquele trem chinês e mandar a conta das balas para a minha mãe – quando eles conseguiram finalmente nos explicar que, para os chineses, aquele guia de turismo era criminoso e, por esta razão, seria confiscado de plano e posteriormente incinerado! 
 
Que vontade de chorar, iam queimar meu guiazinho, minha “Bíblia”, pura e simplesmente!! 
 
Demoramos mais um pouco para entender que o maldito guia mostrava o Tibete como um país independente, e Lhasa como uma capital, e para os chineses isso é um crime contra a segurança nacional! 
 
Depois de cometer um crime contra a segurança nacional em solo chinês (e sair ilesa da história toda, apesar do mega susto), e ainda fula com aquela história, já em Hanói, mandei um e-mail para a editora, reclamando do ocorrido.

Claro que eu também entendo que o Tibete deve ser reconhecido pela comunidade internacional como um país independente, e que Lhasa deve ser apontada no mapa como uma capital de país…ocorre que todas as pessoas que compram o guia da China o fazem com a intenção de viajar pela China e, se para os chineses isso é contra suas leis, o fato de colocarem estas informações no livro pode deixar os viajantes/consumidores em sérios problemas! 
 
Nem preciso dizer que, sérias como são estas editoras, recebi, em uma semana, um outro guia da China de presente pelo correio e um pedido de desculpas pelo ocorrido, com a afirmação de que a nova edição viria com as necessárias correções…
 .
Por Claudia Ferraz Rodrigues Pegoraro
Soldados na China
Cláudia Pegoraro, autora da história
Parabéns Claudia!!! Obrigado a todos pela participação
.

About The Author

SealBag | Criado por pessoas que viajam!

Related posts

6 Comments

  1. Claudia Pegoraro

    Minha nossa! Não tô acreditando que a nossa roubada foi a escolhida!!!! É sério???? Tô quase sem ar aqui!!!!!!!!!! Felicidade!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Nós somos perrengueiros de carteirinha kkkkkk foi difícil escolher um só para mandar! Nada mais justo que tantos perrengues rendam alguma coisa boa pra gente, né???? Obrigada, SealBag, muito obrigada!

    Reply
  2. Tatiane Dias

    Gente, que loucura!
    E ai, vc fica sem seu guia pra continuar a viagem?! Simplesmente louco.

    Mas a pergunta é: eles consertaram na edição seguinte ou mais pessoas passaram por situações parecidas com a de vocês?!

    Reply

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *